A quarta audiência virtual do Fórum Nacional de Incentivo da Cadeia Leiteira, realizada na tarde desta segunda-feira, 27, contou com a participação de representantes de associações ligadas ao produto e seus derivados. O tema foi ‘Os desafios da indústria leiteira e cooperativas”. A inciativa começou há 3 semanas, e tem a mediação da deputada federal Aline Sleutjes, além do apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária e da Subcomissão do Leite na Câmara.

Marcelo Martins, diretor-executivo da associação Viva Lácteos, destacou o potencial do Brasil para conquistar a autossuficiência dessa cadeia.

“Precisamos avançar o quanto antes nos incentivos nas exportações e no consumo interno. Além disso, a proposta da Reforma Tributária preocupa pois, na produção primária, haverá um incremento significativo da carga de impostos”, acredita Marcelo Martins.

A deputada Aline Sleutjes interveio e garantiu que ela e a FPA estão atentas ao debate acerca da Reforma Tributária, cujo primeiro texto do Governo Federal chegou ao Congresso Nacional na semana passada.

“A proposta é semelhante às que já tramitam no Congresso, e se baseia, principalmente, na unificação dos impostos e fixação de uma alíquota base, mas sabemos que não é tão simples assim. Estamos cientes da necessidade do debate mais aprofundado dos impactos desses impostos no dia a dia das empresas, dos produtores e do cidadão. Vamos trabalhar para que a pauta tenha uma análise bem minuciosa”, garantiu a vice-líder do Governo na Câmara.

Armando Carvalho, representante da Pool Leite, mostrou preocupação com o mercado que ele classifica como muito instável e volátil. Ele também reclamou da falta de competitividade do produto nacional junto à demanda internacional. Armando chamou a atenção para os problemas de logística, como o transporte do leite, parabenizou a deputada Aline Sleutjes pela sua emenda de R$ 10 milhões para o asfaltamento da estrada do Socavão, em Castro, que ajudará no escoamento do produto no Paraná.

“Se os caminhões que carregam o leite e produtos quebram, o prejuízo para os envolvidos nessa cadeia são gravíssimos. A qualidade das estradas impacta diretamente na nossa atividade”, disse Armando.

O coordenador da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Vicente Nogueira, declarou que falta transparência ao setor leiteiro.

“Precisamos trabalhar com dados mais sólidos, com indicadores verdadeiros. Todos os envolvidos nesse segmento precisam se comprometer a prestar informações concretas de sua produção para que possam ser construídos modelos matemáticos que deem previsibilidade de preço e elaboração de contratos mais firmes entre todas as partes envolvidas, porque hoje, o que se vê, é a desconfiança de alguns lados, e isso não é nada motivador”, afirmou.

Raimundo Sauer, da Cooperativa Agropecuária de Unaí, falou sobre a cobrança exacerbada dentro e fora da porteira da cadeia do leite pertinente: qualidade do produto e eficiência dos procedimentos são algumas obrigações. Além disso, Sauer afirmou que não é possível investir na atividade sem a previsibilidade do preço para o produtor, tampouco planejar a competitividade com o mercado externo.

Quem também participou da audiência representando a Abraleite foi seu presidente, Geraldo Borges. Ele destacou a necessidade de organização da cadeia, a diminuição dos custos de produção, e também atenção à logística que envolve o transporte do leite em todo o país, com estradas em más condições, e pelo leite ser produzido em 99% dos municípios brasileiros de forma extremamente pulverizada, dificultando e encarecendo essa logística.

A ‘Deputada do Agro’, como Aline Sleutjes é conhecida, informou que está confiante com o andamento do fórum virtual: a próxima audiência está para a tarde de segunda-feira, 3 de agosto, com representantes dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Cidadania, da Ciência, Tecnologia e Inovações, e da Economia, entre outras pastas do Poder Executivo. Sleutjes disse que a troca de sugestões e de experiências por meio dos relatos dos produtores e representantes de associações colaborou para aprimorar o levantamento das demandas do segmento, e sua futura apresentação ao poder público.

“Esse material está com um rico conteúdo, e será usado para otimizar nossa proposta de tentar solucionar a crise do setor leiteiro, para o qual elaboramos um plano de ação com 14 metas. Vamos adequar para aprimorar esse planejamento prévio, e apresentar na próxima audiência para trabalhar sobre a execução dessas demandas junto ao Governo Federal”, finalizou a federal paranaense, que é membro da diretoria executiva da FPA e da Subcomissão do Leite.

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