O isolamento social horizontal que se instalou no Brasil em consequência da pandemia do novo coronavírus, por orientação de prefeitos e governadores dos estados, levando ao fechamento de estabelecimentos de serviços considerados não essenciais, como boa parte dos comércios, provocou a perda de renda e uma onda de desemprego, que já atingiu milhares de trabalhadores do país. A crise que se apresenta desde meados de março foi um dos temas da entrevista concedida pela deputada federal Aline Sleutjes, do Paraná, para a Rádio Castro 95.5 FM, no início da tarde desta quinta-feira (16).

 

“Não podemos matar a vaca por causa do carrapato”, afirmou a parlamentar, referindo-se ao fato de que é preciso haver equilíbrio entre a saúde humana e a saúde econômica no país. Para Aline Sleutjes, o Brasil luta contra um inimigo desconhecido até o momento, porém com certa vantagem em relação a outros países onde a pandemia foi e tem sido mais devastadora. “Pegamos uma fase menos ruim em relação a países que foram afetados antes do Brasil, que tiveram que brigar com o coronavírus sem conhecimento algum, sem saber ainda como agir. Nós tivemos tempo de submeter nossos estudos em cima de estudos de outros países”, disse. 

 

A deputada exaltou o trabalho do presidente Jair Bolsonaro frente à crise. “Hoje temos um presidente muito ativo, que está a todo momento discutindo com especialistas, infectologistas, médicos e população, para tentar encontrar o equilíbrio que o Brasil precisa. Nós não podemos descuidar de outras áreas e agora pensar somente em saúde. Saneamento é saúde, emprego é saúde, qualidade de vida é saúde, tudo isso é saúde.” Para ela, não podemos ser radicais ao ponto de ficar em isolamento horizontal por tanto tempo. “Se deixarmos [o comércio] mais 15, 60 dias [fechado], não volta mais. A perspectiva que já temos em números é de que, somente com essa situação que estamos passando [de isolamento há cerca de 30 dias] já temos mais de 10 milhões de desempregados no país.” 

 

Na entrevista, Aline Sleutjes defendeu que cada município e estado tome medidas de acordo com sua realidade. Segundo a deputada, hoje cerca de 4,6 mil municípios do Paraná não têm nenhum caso de infectados. Mesmo assim, prefeitos mandaram fechar o comércio, orientou pelo isolamento horizontal e proibir acessos. “Se as pessoas não voltarem a trabalhar, as empresas não voltarem a produzir e os agricultores não conseguirem colocar os seus produtos nas prateleiras dos supermercados, das mercearias e na mesa de cada família, daqui a pouco estaremos em um verdadeiro caos. E é isso que o governo Bolsonaro tem feito e tem pedido, para que haja bom senso e equilíbrio.” 

 

Como agir daqui para frente 

 

Do ponto de vista de Aline Sleutjes, a curva da pandemia no país está baixíssima e não subiu como era o esperado, para depois ter a queda e voltar ao equilíbrio. “Teme-se que estamos segurando demais a corda e que essa curva crescerá lá no final de maio e começo de junho, quando vem o nosso inverno”, avalia. E o que vai acontecer com Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e uma parte de São Paulo, questiona a parlamentar. “Quando vier o inverno vamos ter um monte de caso de gripe comum, H1N1 e coronavírus, tudo ao mesmo tempo. E aí, para filtrar isso, vai ser muito mais difícil. Talvez se deixássemos essa curva crescer naturalmente agora, antes do inverno, e ela já baixasse no inverno, teríamos mais segurança e tranquilidade para tratar os outros tipos de vírus que já temos no inverno.” 

 

A deputada, porém, faz questão de frisar que isso não significa dizer que não há perigo e que todos podem sair e os negócios serem reabertos de qualquer jeito. “Os comércios podem abrir, mas que todos usem sua máscara, seu álcool em gel, que tenha quantidade máxima dentro de cada estabelecimento.” Para ela, são cuidados que teremos que adotar daqui para frente, pois provavelmente o vírus não vai sumir. “Vamos ter que conviver com mais uma doença, essa é a verdade. Como convivemos com H1N1, depois do sofrimento do primeiro surto, e aí inventaram um remédio. Graças a Deus já temos um remédio combativo em relação ao coronavírus, que é a hidroxicloroquina. As amostras, os testes, os resultados têm tido resultados extremamente positivos”, destacou.

 

Ações do governo federal 

 

A deputada Aline Sleutjes destacou a aprovação de ações emergenciais do governo federal neste momento de crise mundial, como o auxílio de R$ 600 por três meses para as famílias, que somam R$ 98 bilhões à União; liberação de recursos para custeio na área da saúde, para compra de respiradores, criação de novas UTIs e alas de enfermagem; e facilidades para os produtores rurais, como o adiamento de pagamento de taxas e impostos, entre outras. 

 

Segundo a parlamentar, é preciso ter futuro, e o futuro é emprego, empresa saudável, geração de renda. “O governo não vai aguentar ficar pagando ajuda emergencial. Somente esses pacotes que o governo já anunciou somam R$ 800 bilhões, que podem chegar, com outras medidas que estão sendo discutidas na Câmara, a R$ 1 trilhão. Quanto tempo o Brasil vai levar depois, para conseguir dar continuidade na economia do país?”       

 

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Efna
Efna
10 meses atrás

Parabéns pelo consciente trabalho que vem realizando em favor de nossa cidade e pelo Paraná.